A literatura é um acerto de contas com o que acaba

Com tudo o que faz da gente o que a gente imagina ser.

***

Sempre sento para escrever, sobre um episódio inspirado no que eu quis que fosse, do jeito que eu quis, ou em alguma tentativa pura de invenção, impossível mas heroica, e travo uma batalha, fatalmente fracassada, contra mim mesmo, contra a incapacidade que tenho, que temos, de ser pra sempre e, assim, dispensar artifícios que esperam prolongar o que tem fim.

Penso num casal deixando uma mesa, o bar em Quito; têm jeito e cara de estrangeiros, na Plaza Foch, querendo achar a América Latina cosmopolita e tramar um futuro onde o novo nem sempre é desenvolvido, e as margens do tempo oscilam como a auréola ao redor dos luminosos que vendem bebida, hospedagem e estações de internet. Ela acende um cigarro, não sabe se pode; faz diferença nenhuma, porque ela não fuma. Ele pensa na cantada que levou, de um homem, e de manhã, no ponto onde esperava o tour que sairia para o topo de um vulcão. Resvalam as mãos umas nas outras, apressam o passo até o espaço das mesas recuadas; divertem-se com o balanço que rege os corpos dos outros, corpos cheios do mesmo sotaque que perceberam, então, na voz e nos tons de quem tempera bem o peixe e recomenda literatura jovem boliviana.

Estão achando graça em dançar, colar o rosto e respirar a respiração da boca de cada um; um vai e um vem, uma régua que nivela o salão, subindo todos para uma mesma altura, onde o céu conta as pessoas como peças de uma constelação. E, sendo isso, só isso, é tão isso que ameaçam esquecer a crueza do dia seguinte e das manhãs por vir, dias depois, na rotina de trabalho e na comida por quilo. Ouvindo o pop em francês, quadril pra frente e pra trás; foi na década de 80, assim, mas, sem saberem, era de novo, com eles, pela primeira vez, numa noite que não volta, não voltaria jamais.


O abraço, de novo

O abraço, de novo

Da última vez
a gente se olhou de longe
soprando dois beijos
Quem sabe
aconteceu
de se cruzarem, soltos,
no meio do caminho?

O que tinha de rotina
num gesto de despedida
O toque macio do capuz
do moletom
eu visto agora
fracassando em roubar pra sempre
o que existe
só e quando é dos dois

Ficamos
Eu fiquei
manco, com os dois braços
caídos, rentes ao corpo
inventando um eixo
que eu não tenho mais

Era assim agora
vazio e arrastado
sem a promessa
do abraço
sequer do último
esvaziado
por conta de tudo, maior
que não vai ser

de novo
 

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Ao lado de outros 19 autores brasileiros, participo da coletânea Nosotros, organizada por Katia Gerlach, com publicação em português, pela Oito e meio, e em espanhol, pela Díaz Grey. Cada um dos textos do livro narra um pedaço - de espaço, pessoas e tempo - da América Latina.

Fiquei com Manágua, na Nicarágua, e confesso que o processo de pesquisa foi, para além de didático, muito divertido. Entre outras coisas, topei com alguns vídeos estilo slideshow, com fotos e frases curadas por autores bem fãs do país. Na época em que eu escrevia, não sei se permanece igual, o Street View estava fora do país de Sandino. Fiquei pensando se seria sintoma de algum anti-imperialismo. Acontece que, quando comecei a esboçar o núcleo do que eu contaria, vi que a Avon, de alguma maneira pano de fundo da aventura que enreda os personagens, estava rolando bem solta por lá. E esse embate todo, mais os acidentes da vida comum, acho, renderam um resultado que me deixou feliz.

O lançamento da edição em português será no dia 14 de novembro, no espaço Oito e meio, no Rio. 

Por fim, o principal motivo do post: Lucas Hirai,  do ensaio "Deus vai te derrubar", fez este vídeo teaser para o conto: 

"Deus vai te derrubar"

"Deus vai te derrubar" é um conto de Até de repente. Pra minha sorte, quando leu o texto, o Lucas Hirai teve vontade de clicar uma série a partir dali. Vou reunir o resultado no blog, com comentários meus, apontando rastros que, na minha imaginação, aproximam um do outro. 

Alguns posts repetem o que escrevi no Instagram. Outros acrescentam pontos, no melhor estilo app sem fio. 

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Em "Deus vai te derrubar", Estela, ajudada por sua enfermeira, faz um trabalho de fotomontagem motivado pelo Poetismo, "movimento" da vanguarda theca. Usa uma foto sua como barco para uma porção de fotos com Estelas menores. Um medo enorme de morrer afogada antes de alcançar a praia.

  

do mesmo lado

Tanta coisa acontece assim. É nessas horas que a gente percebe não ser tão diferente dos outros, ao menos não tanto quanto repetimos, em silêncio, olhando alguém a quem jamais desejaríamos bem. 

Vi Paula atravessando a rua, segurando o lenço amarelo enroscado no pescoço. Não consegui lembrar a cor da nossa roupa na última noite dela em São Paulo, dois anos antes. Ela não me viu. Entrou pela porta principal, viajou pelo salão, até eu acenar com a mão esquerda, movimento que confundiu o garçom. Pedi um beirute - para não ser indelicado com o rapaz, ganhei permissão para ser indelicado com ela.

- Você continua igual.
- Já achei que a gente mudava, que a gente continuava igual. Já achei isso tudo. Agora, não acho nada. Só sinto falta permanente de toda nossa impermanência, no que ela tem de igual e de diferente.
- Nossa, vamos começar assim?

Toquei a ponta do garfo sobre a mesa. Era uma maneira de sentir o avesso da minha pele, cada vez mais melancólica por dentro. Começava nas extremidades, corria não sei que caminho, mas cobria o corpo inteiro. Há pouco tempo, chegara à conclusão de que isso explicava a mania que eu tinha de roçar as pontas das unhas do indicador no contorno dos meus lábios. Muita gente dizia que era tique, mas me sentia tão consciente em relação ao gesto, que não casava com a definição que tinha para a palavra.

Paula havia viajado durante dois anos. Sempre me perguntei com que dinheiro. Trocamos alguns e-mails durante esse período. Paula tinha trabalhado numa granja no interior da Holanda. De lá, escreveu que o Alex, um de seus melhores amigos da adolescência, morrera, doente. Pensei em nós três, numa noite na Paulista, coincidindo no refrão de uma banda inglesa da qual perdemos as pistas. Esse tipo de derrota, a morte do amigo, a música que vai embora; esse tipo de perda, das pistas dos outros, que são pistas da gente, vai lentamente esvaziando o sentido dos acontecimentos que tantas vezes nos encheram de sentimento. 

- Qual é o plano?
- E tem plano? - respondi, depois de uma pausa relativamente longa, numa conversa de dois.
- Não tem, né? Tá tudo meio assim. De um lado, ficou todo mundo que eu não vejo mais. O Rodrigo casou, assinou carteira e ficou refém da mensalidade da escola. Ele, o Diou, a Camila, a Ju. E o Lucas? Não soube mais. 
- Do outro lado, estamos nós. 
- Será?
- Será o quê?
- Que ficamos do mesmo lado?
- A gente sempre soube, acho, e teve medo, lembra?, de perder a opção de ser sozinho.

em vias de acontecer

Não saberia dizer exatamente o que levou as pessoas, essas pessoas que mencionei, a pensar que, você, a dizer que eu, talvez, devesse, pudesse ter feito arte. E, ao dizerem isso, ao falarem em arte, no sentido mais burocrático da palavra, estavam justamente buscando dar conta de toda a ideia de liberdade que, ah, meu deus, a arte pode ter de bom. E foi assim: elas olharam no meu olho, de um jeito que eu evitava olhar, pra repetir "é seu olho, seu olho, o jeito de olhar". Num trem em Berlim, enquanto a gente voltava de algum lugar; na quadra de um prédio em São Paulo; por WhatsApp, três ou quatro frases de uma namorada que eu não soube ter. E um dia, andando no frio de uma avenida que já quis concentrar a história dos meus amigos todos, que na verdade foram poucos; saindo de uma cerveja, depois de conversar com um artista francês que perdeu maio de 68 por conta do fechamento dos aeroportos; senti aquele frio me desenhando por dentro da jaqueta; alguma parte da franja abrindo o meu caminho, as pessoas olhando com certa pena de mim, porque meu olho, o olho do olhar, estava embaçado por dentro, molhado pra quem via de fora. E eu fui pisando passos firmes, curtos, eu que sou de passos largos; fui deixando as luzes me tocarem, mais fundo do que jamais me deixei tocar por alguém - algumas imagens, na minha cabeça, colavam-se umas às outras, tratando de relacionar aquelas falas aparentemente perdidas e gratuitas com o meu presente, um presente que não apontava para um futuro certo e que, justamente por isso, acho, aguçava o gelado que dobra de força, em mim, quando antecipa o risco de alguma coisa em vias de acontecer. Estava me convencendo, convencido, deus meu - qualquer deus que queira e possa ser -, de que era aquilo, era que eu tinha nascido para viver aquilo que, quando olharam no meu olho, cintilante, acharam por bem chamar de artista.

nossa medida

Eu estava curtindo uma parada em São Paulo. Aqueles anos, aqueles dias. Nós, nós três, sentados numa mesa, detrás dum janelão, vitrine que dava para a Rua dos Pinheiros. Conversando sobre poucas coisas, tanta coisa por dizer, mas tanto desconforto por administrar; aprender que os esconderijos são contados e que é preciso saber economizar. O que guardar, o que dizer. Para perceber, mais tarde, que o que a gente guarda corre o risco de ficar sem explicação. Explicar pra quê, ué?

Estamos sentados, tomando alguma coisa. Provavelmente vodka - eles. Eu estou em algum número de copo de cerveja. Falamos que a música lá pra dentro poderia ser mais, e bonita. Sem saber falar com essas palavras, com esses nomes, intuímos que tudo merecia ser muito, ali, agora, porque não seria igual de novo, nunca - tentássemos, tentássemos, tentássemos. E tentamos, imaginem, tanto tempo mais tarde, também sem nos dar conta de que, no fundo, queríamos reeditar um punhado de sentimentos que fizeram da gente esse poço encantado, transbordado e vazio, vezes lá, vezes cá, sem planejamento. 

Formamos um triângulo sobre a mesa redonda. Um mapa vinciano. Nesse tempo da gente em que não é preciso fazer nada para ter certeza de que estamos fazendo, possivelmente, o mais visceral e poderoso da vida, que é existir com a certeza de que nossa existência importa a alguém. Podem ser poucos, mas são, e estão lá sedentos de pistas sobre o que podemos pensar e entregar a um mundo todo feito, ainda que por algumas dúzias de meses, na nossa medida. Tem uma idade em que é ruim demais ser o menor ou o mais alto da sala. 

É assim que sentimos aquele silêncio, tumultuado de fundo. Estudamos uns os outros, precisamente quando o outro não nos descobre estudando ninguém, você e eu. Imaginamos o acaso, ou o destino de estar juntos. De dar sentido a um espaço e um tempo que têm algum sentido por nos ter, assim, ao mesmo tempo. Tenho certeza de que Fernanda tem medo do perigo que pode ser um futuro, qualquer futuro, em vias de acontecer. Se o que acontece desacontece o melhor do acontecido?

Gustavo sopra o fundo do copo, sopra o fundo do copo, e sopra, do copo; o ar chega balançado até o meu lugar. Eu penso que jamais me flagraria, anos adiante, pensando naquele presente que, em mim e de muitas formas, rejeitou a condenação de consagrar a ideia de um trajeto linear, no qual o que veio antes não voltará em seguida, porque já foi.

"Vamos ser de novo?", interrompi, irrompi, entre os dois. Olharam-se antes de olhar pra mim. Acho que entenderam. Ou entenderiam que só a gente pode tapear o que está reservado pra gente, rompendo as palavras usadas para justificar o injustificável que é experimentar o fim das torres sem jamais olhar o mundo lá de cima. 

Vamos ser de novo, Fer e Gu? Se a gente for, ainda for, enquanto for, vamos tratar de ser essa espécie de novelo sem ponta, de rede sem centro, de bote sem rumo; não tem pra que chegar se o percurso é incontornavelmente pouco para revelar os motivos que demarcaram os lugares de saída.

presentéritos

Olha, tinha tempo que não aparecia por aqui, pelo menos com um texto novo. Nesse intervalo, comecei e terminei diversas leituras, comecei e não terminei texto algum. Sobre muitas dessas páginas ainda falarei aqui, espero. Tem um livro de contos nacional, lindo, lindo, que merece um texto calmo, não necessariamente longo, mas dedicado. 

Aproveito o post para pensar, em voz alta, sobre a performance que estou preparando, com orientação do Artur Matuck. Aliás, quero escrever em breve sobre o Matuck, dos poucos e visceralmente sinceros outsiders que conheci até hoje. Outsider na academia, outsider nas instituições das artes, outsider na maneira de pensar, de organizar, de sugerir. Enfim, um sujeito que se move e move o mundo, pensando pelas beiradas, absolutamente convicto de que as beiradas ainda vão transbordar para o centro. Poderia ser utopia, mas é só, e muito, um tipo especial de descentramento, de crença num lugar à margem.

Enfim, estou experimentando com a palavra. A partir de um exercício de livre associação de texto, o texto - qualquer que seja - como rubrica de uma cena, pincei, de mim mesmo, a sequência "Futuro do presente, com presentes, é. Não será". Na época do exercício, dias antes, tinha ouvido aquela música tão simples e bonita do Pato Fu, "tempo amigo, seja legal, conto contigo, pela madrugada, só me derrube no final". Diria que a livre associação, nem tão livre, partiu daí, correu para algum lugar e deu aqui em mais uma reflexão sobre a aflição diante do tempo que passa, e nunca mais. 

Veio a vontade de cercar certa obsessão por administrar o futuro. Então, vieram as cartas. As cartas que tomam o futuro como se estivesse escrito - como estão escritas as notícias velhas, fatos ou versões, reais ou inventadas, impressas numa página de revista. E inevitável também a tentação diante da suspeita de que a gente está o tempo todo repetindo os medos, as esperanças e as tragédias que já foram. Porque o homem é só o homem, querendo ser sempre mais. 

Apresentei a performance no CAC, para o grupo que tem trabalhado junto, e boas adições apareceram para ampliar o interesse (e os modos de tratá-lo, representá-lo) que nasceu em mim, em algum dia entre março e abril de 2017. 

É para breve o convite que deixarei aqui aos curiosos. "Presentéritos" estará numa mostra que acontecerá no meio do ano. 

Mas o que você está sentindo?
Um vento que sopra à noite, Regina; parece um rabo de nuvem, o adeus de um foguete. 

A vida como um gerúndio e vários particípios...

Por Krishnamurti Góes dos Anjos*

É como define a existência o personagem central do conto “Fernando e o particípio”, do novo livro de Rodrigo Maceira. A obra se chama “Até de repente” e reúne 7 contos e um sumário das músicas de uma fita K7 “Só sucessos” do grupo A-HA, banda musical que obteve grande popularidade nos anos 80.

Empolgamo-nos com a levada do A-HA, e experimentemos ler esta resenha ao som de uma das faixas. A música “Take on me” cujo link no youtube é:

https://youtu.be/djV11Xbc914

Maceira é um autor que, julgando a farta referência musical presente em seus contos, tem mesmo “uma relação desmedida com os CD´s.

Mas expliquemos melhor a comparação que o personagem faz com o gerúndio no sentido de que essa forma verbal indica uma ação contínua que está, esteve ou estará em andamento, ou seja, um processo verbal não finalizado. O particípio expressando uma ação concluída, terminada. Com efeito, ciclos da vida que se interpenetram como nos diz a narrativa: “Quieto, Fernando alimentava a mania boba de classificar o mundo em gerúndio e particípio. O que vinha antes? O ovo ou a galinha? Todo gerúndio, acreditava, desembocava num particípio – mas o particípio era só um degrau na escalada de uma existência em andamento. A vida era um gerúndio com vários particípios”. (p.101).

Paulo Scott comenta com muito acerto, na orelha da obra, que Rodrigo Maceira tem a capacidade de fazer o leitor “imergir sem esforço na linguagem de muitas nuances, nas entrelinhas, na autopoiese do que está sendo contado, nas camadas ocultas (sempre as mais relevantes)”. Autopoiese (do grego auto, próprio, e poiesis – criação) é um termo que designa a capacidade dos seres vivos de produzirem a si próprios. Segundo essa teoria, um ser vivo é um sistema autopoiético caracterizado como uma rede de produções (processos) em que suas menores partes produzidas geram com suas interações a mesma rede de moléculas (partes) que as produziu. A conservação da autopoeise e da adaptação de um ser vivo ao seu meio são condições sistêmicas para a vida. Portanto, um sistema vivo, como sistema autônomo que está constantemente se autoproduzindo, autorregulando, e sempre mantendo interações com o meio.

Daí as referências culturais (sobretudo as musicais), que perpassam toda a obra e vão se entrelaçando por um pormenor, um detalhe, de uma forma tal que terminam por compor um denso painel da formação humana como ela se dá e se problematiza ao longo do tempo, vista pelo ângulo do sentimento e das perdas que vão ocorrendo. O narrador de “Manolo and the punks” sintetiza bem esse enfoque: “A noção de uma cultura pop palimpsestada (palimpsesto - texto que existe sob outro texto), com diversas camadas de autorreferência, ajudava a explicar a relação paradoxal, de atração e repulsa, que ele mesmo sentia diante de fenômenos como o punk e os quadrinhos. Era tudo incrível e rebelde, mas era tudo pastiche e integrado demais. Aquelas expressões eram denúncia e adesão ao mesmo tempo, a via de acesso rasa para, no século XXI, as mesmas questões profundas que atrapalharam o sono do homem de Cro-magnon”. (p.120).

Assim são personagens de Rodrigo Maceira – quase todas jovens flagradas em seus momentos de busca e perquirição. De encontrar o sentido das próprias vidas. Vejam a exemplar definição de existencialidade no trecho: “Estávamos todos ali, todos eles, todos nós, sinceramente tocados pela idéia de que muita coisa na gente repete sonhos que nos inauguraram, antes sequer de a gente ser, antes de os anos, as décadas e os séculos espelharem as saudades que a gente vai produzir”. (p. 48). Assim nosso caminhar por gerações e gerações... E por falar em saudade, a geração que hoje anda na casa dos cinqüenta, deve lembrar-se da música do A-HA, de que falamos, vale a pena escutar e lembrar: 
https://youtu.be/djV11Xbc914

Ouvi-la nos fará entender melhor a frase solitária do conto Rebento: “You’ll end up crying with your mother’s eyes”. Em tradução livre: Você vai acabar chorando com olhos de sua mãe.

Livro: “Até de repente” – Contos - de Rodrigo Maceira.
Editora Oito e meio, Rio de janeiro, 2016, 208p.

(*) Krishnamurti Góes dos Anjos. Escritor, Pesquisador. Autor de: Il Crime dei Caminho Novo – Romance Histórico, Gato de Telhado – Contos, Um Novo Século – Contos,  Embriagado Intelecto e outros contos eDoze Contos & meio Poema. Tem participação em 22 Coletâneas e antologias, algumas resultantes de Prêmios Literários. Possui textos publicados em revistas no Brasil, Argentina, Chile, Peru, Venezuela, Panamá, México e Espanha. Seu último livro publicado pela editora portuguesa Chiado, – O Touro do rebanho – Romance histórico, obteve o primeiro lugar no Concurso Internacional -  Prêmio José de Alencar, da União Brasileira de Escritores UBE/RJ em 2014, na categoria Romance.

"Até de repente" por Sérgio Tavares

Sérgio Tavares fez essa leitura generosíssima de Até de repente.

Não é o caso de uma escrita experimental, e sim de uma que leva o leitor a frequentar outras experiências. O enredo nuclear está lá – e este se sustenta na conjunção de enlaces e de fraturas de relações pessoais -, porém a prosa ganha de fato substância na atração de um repertório incidental, nas estações de uma voltagem que ilumina as lateralidades em detrimento do plano central onde a ação ocorre e define os destinos dos personagens. A matéria-prima é a arte, e o produto final também.
— https://anovacritica.wordpress.com/2016/12/17/contos-em-que-ressoa-a-arte/

uprooting me

naquele dia
éramos dois horizontes na poltrona da sala
nave repousada na calmaria de dois olhos úmidos
quem sabe?
quando a gente pensa alguma coisa
e não diz
quando a gente deixa de dizer
Om
procura aquela música
traz um pouco de suco
olha que gracinha
queria o dia pra sempre
horizonte
oh rizo- longe
vai chegar?
e de lá
adivinha?
não há
de ter
volta